Bolívia terá 2º turno; oposição encerra hegemonia da esquerda após duas décadas
Rodrigo Paz Pereira e Jorge Quiroga disputam sucessão de Luis Arce em outubro
A Bolívia terá, pela primeira vez em sua história, um segundo turno presidencial. O senador de centro-direita Rodrigo Paz Pereira (Partido Democrata Cristão – PDC) e o ex-presidente de direita Jorge “Tuto” Quiroga (Aliança Livre) foram os mais votados no pleito deste domingo (17) e disputarão a rodada decisiva em outubro.
Com 95,4% das atas apuradas, Paz Pereira aparecia na frente, com 32,14% dos votos, seguido por Quiroga, que registrava 26,81%, segundo o Sistema de Resultados Eleitorais Preliminares (Sirepre), do Tribunal Supremo Eleitoral.
Reviravolta eleitoral
Em terceiro lugar ficou o empresário Samuel Doria Medina (Aliança Unidade), com 19,86%, também opositor ao atual governo. O melhor colocado da esquerda foi Andrónico Rodríguez, presidente do Senado e candidato da Aliança Popular, com 8,22%. Já o postulante do governista Movimento ao Socialismo (MAS), Eduardo del Castillo, somou apenas 3,16%.
O resultado representa um duro revés para o campo progressista, que comandou a Bolívia nos últimos 20 anos, sob os governos de Evo Morales e, depois, de Luis Arce. Impedido de concorrer, Morales havia defendido o voto nulo — opção que atingiu 19,29% do eleitorado, enquanto os brancos foram 2,45%.
Os candidatos
Rodrigo Paz Pereira, de 57 anos, foi a grande surpresa da eleição, já que figurava nas últimas posições das pesquisas prévias. Filho do ex-presidente Jaime Paz Zamora e da espanhola Carmen Pereira, nasceu em Santiago de Compostela, na Espanha, em 1967, e passou a infância em vários países devido ao exílio da família durante regimes militares.
Já Jorge Quiroga tem trajetória conhecida: foi vice-presidente entre 1997 e 2001 e assumiu a presidência após a renúncia de Hugo Banzer, permanecendo no cargo até 2002.
Fim de ciclo
O atual presidente Luis Arce optou por não disputar a reeleição e entregará a faixa no próximo 8 de novembro ao vencedor do segundo turno. A disputa entre Paz Pereira e Quiroga marca a saída da esquerda do poder após duas décadas e abre espaço para uma nova configuração política no país andino.