Saúde

Laminina: a “arquitetura invisível” do corpo humano que pode transformar o futuro da medicina

Discreta, microscópica e essencial. Assim é a laminina, uma proteína presente em praticamente todo o nosso corpo e que, aos poucos, vem ganhando destaque como uma das maiores promessas da ciência brasileira para a regeneração de tecidos e do sistema nervoso.

Mais do que um termo técnico, a laminina funciona como um verdadeiro andaime biológico. É ela quem ajuda as células a se organizarem, se fixarem no lugar certo e se comunicarem. Sem essa estrutura, nossos órgãos simplesmente não saberiam “como se montar”. Durante a formação do bebê na barriga da mãe, por exemplo, neurônios usam a laminina como se fosse uma pista para se conectar. É ali que começam os caminhos que, no futuro, permitirão movimentos, sensações e pensamentos.

Ciência brasileira no centro dessa descoberta

Foi a partir desse conhecimento que uma equipe da Universidade Federal do Rio de Janeiro deu um passo além. Sob a liderança da bióloga Tatiana Sampaio Coelho, os pesquisadores desenvolveram a chamada polilaminina — uma forma organizada dessa proteína, capaz de estimular a regeneração de nervos danificados. Em estudos iniciais, a técnica mostrou potencial para ajudar pessoas com lesões na medula espinhal a recuperar movimentos, algo que por décadas foi considerado quase impossível pela medicina. Os testes em humanos já foram autorizados pela Anvisa, e os resultados iniciais são animadores, embora ainda exijam cautela e mais pesquisas.

Uma alternativa mais acessível

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Um dos grandes diferenciais da polilaminina é o fato de ser uma alternativa mais simples e acessível do que tratamentos com células-tronco, por exemplo. Ela atua estimulando o próprio corpo a se reorganizar e se reparar. Na prática, é como se a ciência estivesse ajudando o organismo a “reconstruir sua estrada interna”.

Benefícios que vão além da medicina

A laminina também está ligada à saúde metabólica, ao funcionamento do pâncreas e à sensibilidade à insulina. Ou seja, ela influencia desde a cicatrização até o equilíbrio do nosso metabolismo. Para que o corpo produza bem essa proteína, é importante manter uma alimentação rica em proteínas de qualidade, além de nutrientes como vitamina C, que participam da formação dos tecidos.

Entender a laminina é entender o corpo

Algumas células cancerígenas, por exemplo, conseguem “quebrar” essa rede de laminina para se espalhar pelo organismo. Estudar essa proteína também ajuda a compreender e combater a metástase. No fundo, entender a laminina é entender como o corpo se constrói, se mantém e se recupera.

Um orgulho da ciência nacional

Em um cenário onde muitas vezes a pesquisa enfrenta falta de recursos, o trabalho liderado por Tatiana Coelho mostra que o Brasil tem talento, criatividade e capacidade de produzir ciência de impacto mundial. A laminina, quase invisível a olho nu, pode se tornar um dos pilares da medicina regenerativa do futuro — com assinatura brasileira. E talvez, nos próximos anos, histórias de superação, movimento e recomeço tenham, por trás, essa pequena grande estrutura que sustenta a vida.