Israel intensifica ataques aéreos após impasse na libertação de reféns
Israel ampliou sua ofensiva militar contra o Hamas nesta sexta-feira (15), após as negociações sobre a libertação de reféns não avançarem. De acordo com o governo israelense, os ataques foram uma resposta à recusa do grupo em aceitar as propostas intermediadas pelo enviado dos Estados Unidos, Steve Witkoff, e outros mediadores.
Nas últimas horas, Israel lançou bombardeios contra a Faixa de Gaza, o sul do Líbano e o sul da Síria. Autoridades locais relatam ao menos 40 mortos, incluindo uma criança. O Exército israelense afirmou que os alvos eram militantes que planejavam ataques.
Os ataques ocorrem após quase dois meses de um cessar-fogo parcial, que resultou na libertação de dezenas de reféns em troca da soltura de cerca de 2 mil prisioneiros palestinos. Desde o início de março, Israel tem restringido o envio de suprimentos a Gaza, pressionando o Hamas a aceitar novas condições para um acordo de trégua.
Ofensiva atinge Gaza, Síria e Líbano
Na Síria, um bombardeio atingiu uma área residencial na cidade de Daraa, deixando três mortos e 19 feridos, incluindo crianças, uma mulher e três voluntários da defesa civil. O Exército israelense alegou ter mirado instalações militares associadas ao governo sírio, que representariam uma ameaça à segurança de Israel.
Em Gaza, ataques aéreos atingiram a região do campo de refugiados de Bureij. Entre os alvos estava uma escola usada como abrigo para deslocados, onde um homem de 52 anos e seu sobrinho de 16 anos foram mortos, segundo o Hospital Al-Aqsa Martyrs. O Exército israelense afirmou que os bombardeios miravam militantes que estariam implantando explosivos. Outro ataque na mesma região matou três homens, que, segundo Israel, tentavam instalar um artefato explosivo. O Hamas nega e afirma que as vítimas apenas coletavam lenha.
No Líbano, Israel declarou ter atingido dois membros do Hezbollah na cidade de Yohmor. A imprensa estatal libanesa confirmou duas mortes e dois feridos. O Exército israelense anunciou novos bombardeios contra alvos do grupo no sul do país, sem divulgar detalhes. Um cessar-fogo entre Israel e Hezbollah está em vigor desde novembro, mas ambos os lados se acusam de violações do acordo.
Negociações seguem travadas
Apesar do cessar-fogo vigente desde janeiro, Israel já matou dezenas de palestinos que, segundo suas forças armadas, se aproximaram de tropas ou entraram em áreas restritas. O acordo inicial permitiu a troca de alguns reféns israelenses por prisioneiros palestinos, mas as negociações para uma trégua definitiva seguem sem avanços.
Israel exige que o Hamas liberte metade dos reféns ainda em cativeiro como condição para prosseguir com as tratativas. O grupo, por outro lado, insiste na libertação de todos os sequestrados e na retirada das tropas israelenses de Gaza. Estima-se que o Hamas ainda mantenha 24 reféns vivos e os corpos de outros 35.
As negociações seguem sob a mediação do Egito, Catar e Estados Unidos, mas o impasse tem elevado a tensão na região, alimentando novos episódios de violência.