CPI

PolíticaVariedades

Mendonça autoriza pedido da PF e determina quebra de sigilo de Lulinha

Mendonça autoriza pedido da PF e determina quebra de sigilo de LulinhaFilho do presidente Lula é investigado sob suspeita de participação societária oculta em esquema

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou solicitação da Polícia Federal para a quebra de sigilo do empresário Fábio Luís da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Com a decisão, investigadores que apuram um suposto esquema de fraudes envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) poderão acessar informações fiscais, bancárias e telemáticas do empresário. A medida foi tomada antes de deliberação semelhante no âmbito da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que trata do caso no Congresso Nacional.

A Polícia Federal busca aprofundar as investigações para esclarecer se Lulinha teria atuado como sócio oculto de Antônio Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como principal operador do suposto esquema.

O inquérito tramita sob sigilo judicial. O nome do filho do presidente teria surgido a partir de depoimentos e relatos de investigados no curso das apurações.

Política

Plenário da ALMT aprova relatório final da CPI das Invasões

O plenário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) aprovou, nesta terça-feira (7), o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Invasões. Após meses de investigação, o documento foi aprovado pela maioria dos parlamentares e será agora encaminhado aos órgãos competentes para as devidas providências legais.

Instaurada por solicitação do deputado estadual Gilberto Cattani (PL) com o objetivo de apurar invasões de terras no estado, a CPI revelou a atuação do crime organizado por trás de algumas invasões de propriedades, com indícios de envolvimento de movimentos articulados e, em certos casos, a omissão e até o incentivo de autoridades públicas.

Em Tangará da Serra, no assentamento Antônio Conselheiro, a CPI identificou uma área invadida para atividades ilegais como o tráfico de drogas. O relatório também solicita rigor nas investigações e transparência em relação a morte do empresário João Pinto, ocorrido no mês de fevereiro de 2024, em sua propriedade, alvo de uma invasão, na região do Contorno Leste, em Cuiabá.

“O relatório mostra, de forma clara, que o crime organizado está se infiltrando nas invasões, promovendo a desordem e ameaçando a segurança jurídica no campo. Nosso dever é proteger o direito de propriedade seja ela rural ou urbana”, afirmou o deputado Gilberto Cattani durante a sessão.

O documento aprovado propõe o encaminhamento de denúncias ao Ministério Público Estadual, Ministério Público Federal, Polícia Federal e outros órgãos de controle, além de sugerir a adoção de políticas públicas de prevenção e repressão a esse tipo de crime.

Para Cattani a aprovação do relatório representa um passo importante no combate à insegurança fundiária. “A Assembleia cumpre seu papel ao investigar e trazer à luz essas situações. Agora, cabe às autoridades dar continuidade às medidas cabíveis”, disse.

Com a aprovação em plenário, o relatório será publicado no Diário Oficial da Assembleia e encaminhado formalmente aos órgãos competentes. A expectativa é que as conclusões da CPI sirvam de base para ações concretas e possíveis mudanças legislativas no combate às invasões em Mato Grosso.

CidadesPolítica

Itanhangá tem um dos maiores assentamentos do país, mas até hoje não regularizou a situação dos produtores assentados

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Invasões realizou a primeira oitiva externa,  na tarde do último sábado (25), no município de Itanhangá (462 km da capital) para ouvir a população local sobre a situação dos assentados da região. Itanhangá possui um dos maiores assentamentos do país, com 1149 famílias assentadas em uma área de 115 mil hectares a partir do ano de 1996.

A principal queixa da população é com relação à demora para concluir os processos para emissão de títulos das terras. De acordo com o prefeito do município, Edu Pacoski, das 1149 famílias, apenas 60 possuem os documentos de suas terras. Cada lote tem cerca de 100 ha e 60% da produção de soja, milho, leite e da pecuária do município vêm do assentamento.

O deputado estadual Gilberto Cattani (PL), presidente da CPI das Invasões, explicou que a competência de regularização do assentamento é do Instituto Nacional de Colonização de Reforma Agrária (Incra), vinculado ao governo federal, mas que a Assembleia Legislativa, por meio da CPI, pode ouvir a população e as demandas da região para fazer os encaminhamentos à União em busca de garantir a regularização e evitar as ocupações indevidas das terras.

“A CPI foi criada para debater sobre as invasões registradas no estado. Nós da Assembleia não temos autonomia para dirimir os casos referentes ao Assentamento Itanhangá. Mas sabemos que há um conflito local devido à invasão liderada por um suposto movimento social e que traz insegurança para a população daqui. O que pudermos fazer em nível de estado, nós vamos fazer e vamos levar as informações colhidas aos órgãos competentes”, afirmou Cattani.

Oscar Versari é produtor assentado na região e chegou a ser alvo de operação a Polícia Federal. Seu processo foi arquivado por falta de provas

Foto: Ronaldo Mazza

De acordo com o parlamentar, Itanhangá tem um histórico de invasões e, devido à distância, nem sempre a população consegue levar as denúncias à Assembleia Legislativa e por isso a importância de realizar reuniões nesses polos onde há conflitos de terras.

Paulo César Dapper, presidente do Sindicato Rural, explicou que, na gestão anterior do governo federal, houve um trabalho para acelerar o processo de regularização fundiária por meio de parceria entre o sindicato, a prefeitura e o Incra. O prefeito Edu Pacoski, entretanto, disse que com a mudança de governo, este processo foi paralisado.

Entre os depoentes ouvidos durante a reunião da CPI, esteve o produtor Ivam Franceschet, que destacou o trabalho dos produtores para construir o que hoje é o assentamento Itanhangá.

“Existe um grande temor social com relação aos movimentos que se organizam para invadir nossas terras. Desde 2014, vivemos com a assombração de uma possível invasão, que se agrava mais porque não temos a documentação mesmo depois de 27 anos de trabalho”. Franceschet é assentado desde 2007 e já passou muitas vistorias para receber o documento de sua propriedade, mas até o momento não conseguiu concretizar o processo de titularização.

Terra Prometida – Em 2014, a Polícia Federal realizou uma operação para apurar um suposto esquema de ocupação e venda de lotes de assentamentos do Governo Federal. Com base em denúncias do Ministério Público Federal (MPF), a PF prendeu produtores, lideranças políticas e servidores públicos da região acusados de atuar na compra e na venda de lotes da reforma agrária.

Durante a reunião, foi apresentado um documentário, realizado pelo gabinete do deputado Gilberto Cattani, sobre a situação das famílias do assentamento Itanhangá que até hoje não possuem o título de suas terras. De acordo com o documentário, muitas famílias alvos da Operação Terra Prometida foram injustamente acusadas de venderem seus lotes para grandes fazendeiros da região ou de fazerem aglomerações para formar grandes propriedades.

É o caso do produtor Oscar Versari, assentado e produtor da região que foi preso acusado, ao lado de seus familiares, de aglomeração de parcelas. Emocionado, Versari relembrou a experiência de 2014. “O dia mais triste da sua vida foi quando fui preso na frente dos filhos e da esposa. A vida inteira eu disse aos meus filhos como agir, para ser honesto, e passei por isso. Nunca provaram nada, mas como eu recupero minha imagem, como superar tudo que passei?”.

O processo contra Oscar Versari foi arquivado por falta de provas. Porém, seus filhos, que foram emancipados para se tornarem beneficiários do programa de assentamento, perderam os lotes que tinham. Atualmente Versaria cultiva soja, milho e tem criação de gado, suínos e aves. Ele trabalha com os irmãos, mas ainda não possui os documentos de sua propriedade.

Se de um lado estão assentados com o senhor Oscar Versari, do outro estão os trabalhadores que foram levados para a região para ocupar os lotes recuperados pelo Incra por supostas fraudes. Sem a intervenção do Estado e a devida regularização, a região é tomada pela insegurança, denúncias de invasões e ameaças de todas as partes. Um caos social que coloca vidas em riscos e compromete o desenvolvimento do município.

Fonte ALMT

Política

ITANHANGÁ: CATTANI PROMOVE REUNIÃO DE CPI DAS INVASÕES E EXIBIÇÃO DE DOCUMENTÁRIO DO ASSENTAMENTO

O deputado estadual Gilberto Cattani (PL) estará amanhã, sábado 25/05, cumprindo agenda durante todo o dia na cidade de Itanhangá. Dentre os compromissos estão uma reunião da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) das Invasões, evento cultural sobre segurança no trânsito e exibição do documentário sobre o assentamento do município.

Presidente da Comissão da CPI das Invasões, Cattani irá comandar reunião do grupo de trabalho às 14h na Câmara Municipal para abordar a situação do Assentamento Itanhangá, segundo maior da América Latina.

Por volta das 18h o parlamentar estará acompanhando a apresentação cultural da dupla Nico e Lau, com orientações de segurança no trânsito, na Praça Itanhangá. O show é uma iniciativa do Detran-MT, custeada por uma emenda parlamentar de Cattani.

Ainda na praça, o deputado fechará a agenda com a exibição em telão do documentário: ‘Itanhangá, uma terra prometida’ que aborda a situação do assentamento, uma produção também realizada pela Assembleia Legislativa, por solicitação do deputado Cattani.

CidadesPolícia

Vídeo mostra policiais civis entrando em hangar momentos antes de matar idoso com tiro no peito

João Antônio Pinto, de 87 anos, foi morto no dia 23 de fevereiro deste ano, dentro da sua propriedade, em Cuiabá. Um vídeo registrado no momento da abordagem mostra policiais civis entrando no hangar do idoso, armados, minutos antes do disparo fatal. A Corregedoria da Polícia Judiciária Civil (PJC) instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o investigador Jeovanio Vidal Griebel, autor do disparo que matou o idoso.

As imagens capturam os policiais com armas em punho adentrando o hangar onde João Antônio estava. Durante o trajeto, a pessoa que filma comenta que o idoso contratou “pistoleiros” para proteger a área de invasores. João vinha recebendo ameaças de grileiros e membros de uma facção, e pouco antes do confronto, havia discutido com invasores, ameaçando-os com uma arma de fogo.

Quando os policiais chegaram, encontraram João Antônio com uma espingarda. Eles ordenaram que ele largasse a arma, mas João, que tinha problemas de audição e visão, teria apontado a arma para os policiais, momento em que foi atingido no peito. Uma equipe médica foi chamada, mas apenas pôde constatar o óbito no local.

O filho de João Antônio afirmou que os policiais agiram com brutalidade, ressaltando a fragilidade de seu pai. A Corregedoria-Geral acusou Jeovanio de homicídio, falsidade ideológica, improbidade administrativa, além de várias infrações administrativas. Jeovanio foi afastado das atividades operacionais e está restrito a funções administrativas, com sua arma recolhida e proibido de utilizar viaturas, até a conclusão das investigações.

Relembre o caso

João Antônio Pinto flagrou dois homens instalando uma cerca em sua propriedade, o que desencadeou uma discussão. A área havia sido invadida em fevereiro do ano passado, e a família aguardava uma decisão judicial de reintegração de posse. Elmar Soares Inácio, um dos homens erguendo a cerca, ligou para seu cunhado, o policial civil Jeovanio Vidal Griebel, alegando ter sido ameaçado de morte por João Antônio.

Jeovanio reuniu três carros e seis agentes policiais da Delegacia de Estelionato e dirigiu-se à propriedade do idoso. Os seguranças no local foram revistados e orientados a não informar sobre a chegada dos policiais. Os agentes, armados, foram ao hangar onde João Antônio estava com seu caseiro. João não ouviu as ordens dos policiais devido à sua deficiência auditiva.

A versão oficial dos policiais é que João sacou uma arma, justificando a ação dos agentes em legítima defesa, uma alegação contestada pela advogada da família do idoso.

Política

CPI das Invasões ouve proprietários de áreas localizadas no Contorno Leste, em Cuiabá

Em declaração à CPI, na tarde desta segunda-feira (18), os depoentes afirmaram sofrer ameaças e denunciaram a prática de crimes por parte dos invasores

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada pela Assembleia Legislativa para investigar as invasões urbanas e rurais ocorridas em Mato Grosso ouviu, nesta segunda-feira (18), proprietários de duas áreas localizadas no Contorno Leste, em Cuiabá.

Dono de uma área de 139 hectares localizada à margem direta do rio Coxipó Mirim, José Antônio Ribeiro Pinto foi o primeiro a falar à CPI. Segundo relatou, um grupo de invasores ingressou na propriedade em 28 de janeiro de 2023 e ocupou um total de 70 hectares.

O pecuarista informou que a área pertence à família desde 1968 e que possui todos os documentos comprobatórios, devidamente legítimos e reconhecidos. Disse ainda que, desde o início, o processo de ocupação ocorreu de forma violenta e que a família dele recebeu várias ameaças de integrantes do movimento. 

“Temos a titularidade e a posse da propriedade reconhecida até mesmo pelos invasores. A área só não foi toda invadida porque nós resistimos até o fim. Nunca vi nada tão bem organizado. Estamos sob constante ameaça de morte e temos vários Boletins de Ocorrência registrados”, narrou José Antônio.

O confronto teria resultado, inclusive, na morte do seu pai, João Antônio Pinto, de 87 anos. Conforme relatou, o idoso foi assassinado no ano passado supostamente por um policial civil envolvido no imbróglio. O caso está sendo investigado pela polícia.

“O meu pai, apesar de a gente falar para ele não frequentar o local, ele jamais se dobrou a esse fato. Ele era um senhor de 87 anos, trabalhou a vida inteira, conseguiu tudo com mãos calejadas, inclusive morreu trabalhando. Ele era uma pessoa muito simples, inclusive dava carona para o pessoal do grilo. Um dia, ele foi até a propriedade e chegou lá dizendo que tinha conhecido um dos líderes da invasão. Pouco tempo depois, a propriedade foi invadida por policiais civis e meu pai foi executado”, contou.

O proprietário informou que a justiça determinou a reintegração de posse desde o dia 27 de março de 2023, mas que o grupo continua no local. Denunciou ainda a prática de crimes ambientais por parte do grupo. Segundo ele, a região foi desmatada, incluindo trecho considerado Área de Preservação Permanente (APP), e poços artesianos foram construídos. Mesmo sendo comunicada do fato, conforme relatou, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) não teria tomado nenhum tipo de providência.

O advogado Marcelo Barchet prestou esclarecimentos à CPI representando Paulo Itacaramby, proprietário de uma área de 23 hectares, invadida no início de 2023. Ele afirmou que a família detém a posse da área desde 1980 e denunciou a prática de delitos por parte dos invasores, como furto de energia elétrica, perfuração de poços artesianos e comercialização de lotes.

“Os proprietários têm sofrido ameaças e têm muito medo, principalmente após o assassinato do João Pinto, dono da área vizinha”, afirmou o advogado.

Barchet disse que o Judiciário concedeu liminar para reintegração de posse, mas que está suspensa após apresentação de recursos por parte dos invasores. Declarou ainda dispor de denúncias acerca da comercialização de lotes e do envolvimento de pessoas do grupo com facções criminosas.

Comissão de Soluções Fundiárias – Houseman Aguliari, presidente da Comissão de Assuntos Fundiários da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT), explicou os trabalhos que estão sendo realizados pela Comissão de Soluções Fundiárias, composta por representantes da Defensoria Pública, Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat), OAB-MT, Conselho Estadual de Direitos Humano de Mato Grosso, entre outros.

Conforme declarou, a comissão acompanha as visitas técnicas feitas pelo Poder Judiciário a fim de conhecer a realidade e orientar o juiz do processo acerca da situação da invasão e das pessoas que ali se encontram. No caso específico das áreas localizadas no Contorno Leste, Aguliari informou que os processos referentes as duas áreas estão sob análise da comissão e que, na próxima segunda-feira (22), deverá ser apresentado resultado de avaliação feita pela Defensoria Pública e Secretaria de Estado de Assistência Social (Setasc).

“Eles ficaram lá na região por volta de uns 60 dias e fizeram um levantamento para identificar quem são realmente as pessoas que se enquadram nos critérios de hipervulnerabilidade e vulnerabilidade, estabelecidos em lei nacional. Também para verificarem qual será a política adotada para elas e, então, determinar a questão da desocupação”, explanou.

Encaminhamentos – O relator da CPI, deputado Carlos Avallone (PSDB), informou que irá solicitar autorização para participar da reunião da próxima segunda-feira da Comissão de Soluções Fundiárias. 

Durante a reunião, foram aprovados requerimentos apresentados pelo presidente da CPI, Gilberto Cattani (PL), solicitando a convocação de representantes da Sema, para explicarem por que não foram tomadas providências diante das denúncias de crimes ambientais ocorridos nas áreas de invasão; da Polícia Civil, para se pronunciarem sobre a investigação da morte de João Antônio Pinto; e de Luiz Fernando Proença, presidente da Associação Brasil Sem Teto, apontado como um dos líderes dos movimentos de ocupação.

“Nós vamos convidar todos para virem aqui e se explicarem. Então, serão chamados tanto a Sema, como a Energisa e a Águas Cuiabá, para falar sobre a questão dos postos artesianos e todas as situações que foram colocadas aqui. Todos terão espaço para se pronunciarem, para que a sociedade possa entender como ocorrem essas invasões e quais são os procedimentos legais a serem adotados”, destacou Avallone.